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corpo identidade
Toda identidade é, também, um ato de auto-feitura: de erigir a si mesmo. A criança que cresce curando seus gostos por alimentos e brinquedos, a pessoa adulta que seleciona suas moradias e batalhas, a pessoa idosa que se afasta daquilo que já se tornou enfadonho… tudo é sobre construir quem somos. Dentro se espelhando fora e fora gerando ruídos e repercussões dentro. No ofício quase espontâneo de lapidar a essência que faz de cada um de nós seres tão particularmente raros, algumas vezes a interferência de outras pessoas é força motriz para movimentos, reações e contraposições. Entender os limites entre quem somos e o que imaginam que somos torna-se tarefa intrincada, delicada e persistente. Alguns olhares agregam, outros segregam.
Os signos exteriores, nesse âmbito, ajudam a circundar as identidades: nossas vestes, nossos jeitos, nossas formas e nossos corpos. Nem tudo são escolhas, mas é possível (guardadas as devidas proporções e recortes) escolher quase tudo que nos constitui materialmente, incluindo nossas expressões de corporalidade: alimentação, musculação, dança, tratamento homeo e alopático, terapia hormonal, tatuagens, piercings, cirurgia plástica, modificações corporais performáticas... Artistas como Orland, com sua “Arte Carnal”, canalizam as possibilidades autônomas de manipular plasticamente o corpo habitado, como expressão pura e simples. Despir-se do caos de fora e vestir-se em mais caos, dentro. É disso que trata o manifesto "corpo identidade”.















